Recebemos de Tassya Rocha matéria do Século Diário com matéria de Flavia Bernardes sobre o impacto ambiental da obra do porto que será construído em Presidente Kennedy (ES). A Tassya considera o assunto também de interesse da população de São Francisco de Itabapoana. “O povo de São Francisco precisa ficar sabendo”. Concordo com você Tassya.
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Baosteel, o retorno: vem aí parceria da Ferrous para usinas no sul
Flavia Bernardes
Por mais rodeios que ocorram, o fato é: o sul do Estado está condenado a virar um novo Complexo de Tubarão. O que se vê, dizem os ambientalistas, é que os grandes projetos apenas recuaram. E agora retornaram com ainda mais força. Prova disso é a ida dos representantes da Ferrous para a China a fim de negociar a construção de três usinas e um mineroduto em Presidente Kennedy.
Num momento em que a Vale quer construir uma siderúrgica em Anchieta com a mesma capacidade de produção que a antiga Baosteel, a sociedade reclama dos novos projetos. Diz que não foi ouvida e, mesmo assim, a empresa já anunciou como certo nesta sexta-feira (23) o número de empregos que irá produzir na região (6 mil), o início das obras para 2011 e a tentativa de parceria com a Baosteel. Um representante da empresa, inclusive, está na China para negociar essa parceria.
Além das usinas, a Ferrous quer construir um mineroduto e um porto, mas. apenas o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do porto foi iniciado.
O empreendimento, lembram os ambientalistas, está ignorando a constatação feita no ano passado de que a região de Presidente Kennedy, assim como Anchieta, não possui disponibilidade hídrica para abastecer o empreendimento. Eles ressaltam ainda que as manobras para a instalação da empresa já foram iniciadas e se dá do mesmo modo com que as grandes poluidoras se instalaram no Estado.
Além da falta de transparência com a população local, há pressão da prefeitura de Presidente Kennedy sobre os moradores da Praia dos Neves, mesma localização do empreendimento. A prefeitura, dizem os moradores, quer que a comunidade venda seus imóveis por preços irrisórios, e os que não concordam são ameaçados de desapropriação. O caso foi denunciado à Polícia Federal, mas até agora nada foi feito.
O prefeito de Presidente Kennedy é Aloísio Corrêa e, o vice, Reginaldo Quinta. E no local desapropriado pela prefeitura a Ferrous Resouces quer construir um porto de águas profundas, três usinas de pelotização e um mineroduto ligando Minas Gerais ao Estado. Para isso, a empresa já adquiriu área de 12 milhões de m², onde irá concentrar seu complexo industrial que será voltado para o mercado externom repetindo a atuação das demais poluidoras do Estado que deixam aqui apenas os impactos ambientais.
A Ferrous foi criada a partir de fundos de investimentos e fez aquisições diversas no Brasil, principalmente na região de Congonhas e Serra Azul, em Minas Gerais. O projeto de escoamento do minério é similar ao utilizado pela Samarco, da Vale, que utiliza dois minerodutos no Espírito Santo.
Para os novos empreendimentos, a empresa anuncia que as obras deverão estar concluídas em 2014.
Além das usinas, do mineroduto e do porto da Ferrous no sul, está prevista ainda a construção de uma siderúrgica da Vale, com previsão de produção semelhante à da Baosteel, quando a mesma tentou se instalar em Anchieta e não foi aceita devido aos inúmeros impactos ambientais e sociais que geraria à região. A Baostell previa a produção de 5 milhões de toneladas anuais, podendo chegar a 20 milhões. Já a Vale anuncia que sua produção será menor que a da Baosteel, mas se contradiz ao confirmar a produção de 5 milhões de toneladas/ano,
Outro projetos reservados para região, que já possui três pelotizadoras de minério, são: 4ª usina pelotizadora da Samarco, Unidade de Tratamento de Gás (UTG) da Petrobras e dois novos portos.
O governo Paulo Hartung chegou a cogitar aa possibilidade de um pólo petroquímico na região, incluindo uma refinaria de petróleo.