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sábado, 30 de agosto de 2014

Começa nesta segunda-feira (1º) a temporada reprodutiva das tartarugas marinhas no Brasil


Até março de 2015 desovas serão acompanhadas pelo Tamar. Biólogo que atual na Sub-base do Projeto em São Francisco será o entrevistado desta segunda-feira (1º) no Jornal São Francisco é Notícia.

Trabalho de educação ambiental do Tamar em soltura
pública de filhotes de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta)
Começa nesta segunda-feira, 1º de setembro, e vai até março de 2015, o período reprodutivo das tartarugas marinhas no Brasil. Comemorando 35 anos de criação, o Projeto Tamar dará início ao 34º monitoramento de desovas das tartarugas. E para falar sobre o assunto, a Rádio São Francisco receberá na segunda-feira (01/09) o biólogo Tiago Leite, responsável pela sub-base do Tamar em São Francisco de Itabapoana. Ele será o entrevistado do Jornal São Francisco é Notícia, a partir das 9 horas.

O Projeto Tamar foi criado em 1980, pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal-IBDF, que mais tarde se transformou no Ibama - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente. Hoje, é reconhecido internacionalmente como uma das mais bem sucedidas experiências de conservação marinha e serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho socioambiental.

Pesquisa, conservação e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção, é a principal missão do Tamar, que protege cerca de 1.100km de praias, através de 19 bases de pesquisa e conservação e 11 Centros de Visitantes localizados em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso desses animais, no litoral e ilhas oceânicas, em nove estados brasileiros. O Projeto conta com o apoio de pesquisadores, biólogos, oceanógrafos, estagiários e principalmente da comunidade, pescadores e turistas.

Na temporada 2013/2014, o Projeto Tamar obteve novos recordes: 26.199 ninhos protegidos, gerando mais de 2 milhões de filhotes, levados ao mar em segurança. Isso representa um aumento de 17% em relação à temporada reprodutiva anterior (2012/2013), o que corresponde a 3 mil ninhos a mais. Esses resultados se referem à temporada de reprodução no continente e nas ilhas oceânicas. O balanço é resultado do trabalho realizado através de 18 bases de pesquisa instaladas em áreas prioritárias de desova monitoradas no litoral de cinco estados brasileiros: Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

No Rio de Janeiro, o projeto conta com o apoio da Base Bacia de Campos, que monitora cerca de 105 quilômetros de litoral, nos munícipios de Campos dos Goytacazes, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana, e liberou um total de 158.807 filhotes na última temporada.

São Francisco de Itabapoana

Tartaruga Cabeçuda (Caretta Caretta) desovando em SFI
A Sub-base de São Francisco de Itabapoana monitora todo o litoral sanfranciscano, que vai da foz do rio Paraíba do Sul até a foz do Rio Itabapoana, em Barra de Itabapoana. Entre 2013 e 2014 foram contabilizados 725 ninhos e liberados 62.215 filhotes em São Francisco.

Em dois pontos específicos, que somam um total de 4 quilômetros, (km 4 e 5 na praia em frente às torres eólicas de Gargaú e km 20 e 21 na praia em frente à comunidade Quilombola de Barrinha) o projeto passou a deixar os ninhos nos locais de origem, com objetivo de recuperar as áreas de nidificação das tartarugas. A iniciativa obteve bons resultados.

Entrega de tartaruga-verde (Chelonia mydas)
por pescadores parceiros em Guaxindiba
“Nessa temporada o nosso objetivo é manter os ninhos em mais quatro quilômetros de praia, sendo o Km 28 e parte do 27, próximo à comunidade de Guriri, e os quilômetros 33 e 34 na praia de Lagoa Doce. Essas áreas serão marcadas com placas, orientando as pessoas sobre a importância da proteção dos ninhos e das tartarugas marinhas”, explica Tiago Leite.

Além das atividades de monitoramento e manejo reprodutivo durante as temporadas de nidificação das tartarugas marinhas, o projeto desenvolve um trabalho de monitoramento das atividades pesqueiras, onde conta principalmente com o apoio e parceria dos pescadores.

Ação de educação ambiental 
com filho de pescador em Gargaú
“O pescador que captura incidentalmente uma tartaruga marinha na rede, entra em contato conosco para entregar o animal, em seguida são coletados todos os dados biológicos, como espécie, comprimento do casco, largura, peso, etc... O animal recebe um par de anilhas de metal com uma numeração específica e o endereço do projeto, esta marcação funciona como uma carteira de identidade do animal. Caso o animal esteja em boas condições de saúde ele é solto imediatamente, caso contrário é levado para tratamento clinico veterinário e permanece em reabilitação”, disse.

O projeto também desenvolve um trabalho de educação ambiental com as comunidades locais, através de oficinas, palestras, atividades lúdicas, entre outras iniciativas. “Somente no primeiro semestre de 2014 foram realizadas palestras em cerca de 23 escolas do município de São Francisco”, conclui o biólogo.

O Projeto Tamar tem como patrocinador oficial a Petrobras, desde 1983.


Blog do Paulo Noel / Projeto Tamar / Tiago Leite
Fotos: Projeto Tamar

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