
Mesmo que a captação de recursos
para investimentos no Porto Central ainda tenha que passar por muitas etapas, o
fato dos gestores da Autoridade Portuária de Roterdã, Holanda, fazerem parte do
consórcio do projeto capixaba é que preocupa os seus concorrentes.
No setor portuário (tema que venho
me dedicando para compreender suas relações econômicas, vínculo com as regiões
onde estão instaladas, impactos, novas dinâmicas econômicas e impactos sobre o
território), as relações entre os operadores que definem as linhas e rotas das
movimentações de cargas têm um peso muito grande na definição do sucesso desta
modal de transportes.
Enfim, mais um projeto dentre
tantos, no RJ e ES, que deve ser acompanhado de perto. Abaixo a reportagem do
Valor na edição de hoje, página A3:
Ibama libera projeto portuário de
R$ 5 bi no Espírito Santo
Por Rafael Bitencourt | De Brasília
O Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente (Ibama) publicou ontem a licença prévia para o Porto Central,
projetado para o município Presidente Kennedy (ES). O porto privado tem
investimento orçado em R$ 5 bilhões.
A maior participação no projeto é
da TPK Logística, com cerca de 70%. Outros 30% ficarão com a holandesa Porto de
Roterdã, empresa controlada pelo governo holandês e pela prefeitura de Roterdã.
O governo do Espírito Santo ficará com uma fatia minoritária de aproximadamente
1%.
Há pelo menos seis meses, os
empreendedores aguardavam a licença do Ibama. A autorização concedida, com
validade de quatro anos, foi assinada sexta-feira pelo presidente do instituto,
Volney Zanardi Junior.
Ao ser concluído, o Porto Central
deverá movimentar um volume de carga da ordem de 226 milhões de toneladas por
ano, superior ao volume registrado atualmente no porto de Santos.
Idealizado para compor um complexo
portuário industrial de classe mundial, o Porto Central possui localização
estratégica. Está próximo das bacias petrolíferas de Campos e do Espírito
Santo, característica ressaltada no Plano Geral de Outorga elaborado pela
Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
De acordo com parecer do Ibama, o
porto capixaba deve assumir a vertente multiuso. Além de ser preparado para
lidar com rotina de exploração e produção de petróleo na camada do pré-sal, a
infraestrutura permitirá o atendimento de diferentes demandas da indústria com
as extensões de cais de atracação.
O Porto Central, segundo o Ibama,
deverá funcionar sob o regime de "condomínio". Diversas empresas
terão a oportunidade de desenvolver suas atividades ao ocuparem terminais
específicos, com estaleiro, base de apoio em alto mar, granéis líquidos e
sólidos, carga geral, veículos, contêineres, entre outros. Cada condômino se
encarregará de implantar os sistemas de controle de poluição, gerenciar a
destinação dos resíduos sólidos e estruturar a movimentação de cargas.
Se viabilizado, o projeto será
constituído em área de 1.517 hectares, com possibilidade de expansão para até
2.200 hectares. No projeto, está prevista a escavação de um canal artificial em
terra, em linha à costa, com o comprimento de 3.645 metros, além de quatro
canais artificiais secundários com extensões variando entre 190 metros e 1.400
metros.
O volume de resíduo a ser removido
na dragagem, incluído o trabalho nos canais artificiais, será de 192 milhões de
metros quadrados. Em mar, a dragagem que será realizada formará o canal de
acesso com 25 metros de profundidade e 300 metros de largura, além do
comprimento de 22 quilômetros. Em terra, as escavações formarão canais com
profundidade de até 16 metros.
Os estudos dos empreendedores
preveem a chegada ao Porto Central de uma média de 3.236 navios por ano. Na
fase de operação, é estimado o fluxo de 1.446 caminhões por dia.
O atual acesso rodoviário à área do
empreendimento é feito pela Rodovia do Sol (ES-060), que segue paralela à
costa, e por 30 quilômetros da ES-162, a partir do entroncamento com a BR-101
em direção ao litoral. Os empreendedores informaram ao Ibama que o porto será
beneficiado pelo ramal ferroviário EF-118, projeto já anunciado pelo governo
federal.
As obras do Porto Central têm
duração prevista de um ano e três meses. O pico de execução, a ser atingido em
um ano e nove meses, deve mobilizar o total de 4.709 trabalhadores.
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