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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sepultado casal morto a tiros no domingo em Floresta

Duplo homicídio assusta moradores de São Francisco de Itabapoana

O casal Edson e Cláudia liderava o MST em São Francisco de Itabapoana

Velório na capela mortuária do Cemitério de São Francisco de Itabapoana

Uma mesma sepultura para o casal. Quando o último caixão baixou à sepultura os presentes aplaudiram emocionados no último adeus aos lideres comunitários.
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Ocorreu, agora, no Cemitério de São Francisco, por volta das 18h40m desta segunda-feira, 23, o sepultamento do casal Edson dos Santos Nogueira, 32, e Cláudia Maria Cordeiro da Silva, 27, assassinados a tiros domingo na localidade de Floresta, em São Francisco de Itabapoana. Centenas de amigos e parentes compareceram ao Cemitério de São Francisco para acompanhar o sepultamento. No velório o comentário era geral: como pode ter acontecido esta tragédia envolvendo como suspeito das mortes, o próprio irmão. O duplo homicídio do líder dos trabalhadores sem terra e a da mulher Cláudia, também ligada ao MST, foi o assunto mais comentado durante todo o dia de ontem e hoje. Lázaro dos Santos Nogueira, 34, irmão de Edson, se entregou à Polícia Militar (BPRv) sem oferecer resistência, depois de ter jogado o rifle calibre 38 no capim próximo a um muro. Segundo Jorge Paulo Chagas de Almeida, conhecido por Jorginho de Almeida, ele nunca viu o Lázaro tão transtornado. “Depois que atirou no irmão e na cunhada ele saiu como um “boi bravo” e ninguém permaneceu na rua. Ele foi procurar a irmã Eulália que se escondeu dentro de casa. Sem encontrar a irmã, Lázaro ainda efetuou mais alguns disparos para cima”, disse. Não satisfeito Lázaro retornou ao local do crime e foi contido pelo Jorginho Almeida que o conhece na comunidade. “Eu perguntei se ele sabia o que tinha feito, informando que a polícia militar estava vindo para prendê-lo. Mas não demonstrou preocupação. Finalmente, jogou o rifle do capim margeando a rua e, quando a Polícia Militar chegou, se entregou apontando para o local onde jogara a arma para em seguida confessar o duplo homicídio”, disse Jorginho que acompanhou todo o drama.

O casal deixa dois filhos, um de seis anos e outro de 1 ano e seis meses. Cláudia que é carioca conheceu Edson, que tinha o apelido de Índio, durante uma entrevista sobre o MST em um dos acampamentos dos sem terra. Segundo informações na comunidade, ele estava estudando na faculdade de jornalismo. Mas trancou a matrícula para acompanhar o marido na luta pela reforma agrária. Os pais de Cláudia vieram do Rio de Janeiro, juntamente com os irmãos. Uma pessoa ligada à família informou ao Blog que o avô das crianças decidiu levar os netos para o Rio de Janeiro.

Um comentário:

Bruno Costa disse...

Infelizmente a vida prega surpresas desagradáveis. Claudinha, pessoa humilde, inteligente, universitária de uma das melhores faculdades de Comunicação do país, a Facha. Veio para São Francisco e se apaixonou, passando a defender a causa do MST com garra.