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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Tartaruga tenta e não consegue desovar em meio as construções da Praia de Manguinhos


Episódio retrata bem as desastrosas interações entre o homem e a natureza

Moradores acionaram o Tamar e o CTA, que compareceram ao local

Que o homem interfere no meio ambiente, prejudicando a natureza das mais diversas formas, todos já sabem, não é uma novidade, mas o fato que o Blog mostra nesta postagem ilustra bem essa interação desastrosa.

Por volta das 6 horas da manhã desta segunda-feira, 05/10, na Praia de Manguinhos, Litoral de São Francisco de Itabapoana, moradores flagraram uma Tartaruga Cabeçuda enorme desovando, ou melhor, tentando desovar.

Por extinto as tartarugas sabem que precisam fazer os ninhos em local seguro, onde as ondas não alcançam. O problema é que em Manguinhos as tartarugas sobem o barranco de areia e encontram as famigeradas construções.

O animal entrou em um terreno murado, e, devido à vegetação presente no local, não conseguiu fazer o ninho para depositar os ovos. Desorientada pelo ambiente inapropriado para desovar, a tartaruga colocou apenas três ovos sobre a grama, quando em cada postura costuma colocar cerca de 100 ovos.

Moradores acionaram o Projeto Tamar e o CTA – Serviços em Meio Ambiente. As equipes compareceram ao local, registraram a tentativa da desova da tartaruga e realizaram as medições. Foi constatado que o animal estava bem.

“Isso que ocorreu em Manguinhos é muito comum, devido aos imóveis construídos muito perto da praia. Constantemente o Tamar é chamado para acompanhar desovas de tartarugas no local”, relatou o Daniel Shimada, responsável pela Sub-base do Projeto Tamar em São Francisco de Itabapoana.

Orla de Manguinhos
De acordo com Daniel é possível que a tartaruga volte ao local para desovar, já que em cada temporada de desova, entre setembro e março, as tartarugas fazem de 4 a 6 posturas.

Segundo o professor e ambientalista Arthur Soffiati, em artigo que escreveu para o Blog do Paulo Noel sobre a erosão na Praia de Manguinhos, quando Manguinhos foi colonizada, a rua paralela à costa recebeu construções de ambos os lados.

“A legislação vigente determina que se deve deixar livre uma faixa de 300 metros a contar da maré alta. Na época, não existia tal obrigatoriedade, dificilmente respeitada nos dias de hoje, mas já havia a exigência de se construir apenas de um lado da rua”, escreveu Soffiati. Como se vê essa exigência não foi respeitada.

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