
Fotos e reportagem do jornal O Diário edição de 19-02-09
Chacina deixou três jovens mortos numa república de estudantes no Centro, em Campos, na madrugada de ontem. Por envolvimento com drogas, Bruno de Lima Rodrigues, 23 anos, seria o alvo dos assassinos – pelo menos dois – que entraram na residência com dois tipos de armas diferentes e executaram quem encontraram pela frente, todos com tiros na cabeça. Além dele, morreram os estudantes André Luiz dos Santos Souza, 23, e Macsuare Cabral de França, 21. Nos 18 primeiros dias de fevereiro, 19 pessoas foram assassinadas no município.
André Luiz assistia televisão deitado no sofá da sala, quando foi atingido pelos tiros. No quarto da república, Bruno conversava com Macsuare. Ele levou vários tiros na cabeça e ela foi morta com um tiro na cabeça e outro no pescoço. A jovem estava sentada em uma cadeira com as pernas esticadas sobre outra cadeira. O triplo homicídio aconteceu na Rua Santiago Carvalhido Filho.
O delegado adjunto da 134ª Delegacia Legal (DL/Centro) Maurício Barros esteve no local do crime e constatou que os assassinos não deram chance de defesa às vítimas. “Percebemos que a casa estava com a porta e janela abertas, luzes, televisão e ventilador ligados e os jovens em um clima descontraído. Nenhum deles apresentava sinais de defesa. Acredito que o André Luiz e a jovem foram mortos porque estavam no lugar errado e na hora errada”, falou o delegado, que investiga o caso.
Na sala, quarto e quintal da república policiais do 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM/Campos) encontraram nove cápsulas de duas pistolas diferentes, sendo quatro de calibre nove milímetros e cinco de 380, além de um projétil deflagrado, cujo calibre não foi identificado.
A Polícia não tem suspeitos do crime. Os telefones disponíveis para denúncias anônimas sobre a chacina são: (22) 2723-1177; 190 ou (22) 2722-4316.
Bruno completarias 24 anos
Bruno completaria 24 anos no próximo mês e sua morte não foi surpresa para o pai dele, o funcionário público estadual Rui Rodrigues, 45. Segundo Rui, há cerca de três anos o filho saiu de casa, devido à má relação que tinha com a madrasta, a professora de Português Cláudia Mara Souza Pessanha, 38. “Chegamos a encontrar maconha em meio aos pertences dele e então associamos a difícil relação dentro de casa ao uso de drogas”, contou a madrasta.
Bruno chegou a furtar várias vezes celulares e outros objetos dentro de casa, quando morava com o pai e mesmo depois de sair da residência, para sustentar o vício das drogas. O último caso teria acontecido na semana passada. “Demos por falta do celular do meu filho mais novo e liguei para o número. Uma mulher atendeu ao telefone informando que comprou o aparelho de um rapaz e acabou fornecendo as características do Bruno como o homem que vendeu o celular”, contou Rui.
Na última sexta-feira, Rui procurou o filho na república e disse ter encontrado Bruno com mais dois amigos fumando maconha. “Ainda assim tentei dialogar com ele, falando que as drogas só oferecem dois caminhos: a morte ou a prisão. Na hora ele me disse que para ser comparado a um ladrão só faltava usar arma”, contou o pai da vítima, destacando que já pagou pensão e enviou alimentos para o filho.
Homenagens de amigos na internet às vítimas
A casa, usada como república pertence ao comerciante Reinaldo Jacinto da Silva, 68. Ele contou que é amigo do pai de Bruno e acabou emprestando a casa, já que o jovem alegou não ter condições de pagar aluguel. André Luiz morava com a mãe no condomínio residencial Recanto das Palmeiras, mas já residiu também na Avenida Francisco Lamego, no Jardim Carioca. Recentemente se formou no Curso de Publicidade e atualmente fazia um curso técnico com a pretensão de trabalhar embarcado.
Macsuare cursava o Ensino Médio e fazia curso de Francês. Ela morava com a avó no Jardim Carioca. O pai dela, segundo um amigo, é proprietário de uma joalheria na cidade e a mãe mora na cidade de Magé. Os familiares das vítimas foram informados da chacina, ainda de madrugada, por um amigo do trio.
Nas páginas de um site de relacionamentos na Internet amigos das vítimas prestaram várias homenagens. De acordo com um amigo do trio, que preferiu não se identificar, eles se reuniam na república para beber, ouvir rock e se divertir. A Polícia chegou ao local através de denúncia anônima que informava errado o número da residência. “Como os PMs não estavam encontrando o local correto, tentaram se informar na república, já que as luzes estavam acesas e a porta e janela abertas. Os policiais acabaram se deparando com os mortos”, informou o delegado Maurício Barros.
No local do crime a Polícia localizou documentos em nome de outro rapaz – que será mantido em sigilo por motivos de segurança. Segundo o delegado, o jovem pode ser um sobrevivente da chacina, uma testemunha para o crime ou, ainda um suspeito. “Mas considero remota a possibilidade de ele ser um suspeito. O que sei é que ele sabia do crime antes de todo mundo”, frisou o delegado.