Cristina. Recebi seu e-mail. Achei linda a mensagem. Estou postando agora. Abraços do Blog.
Bom dia Sr. Paulo Noel, se possível gostaria de postar esta homenagem a meu tio Pedro Cherene.
Att.,
Cristina
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Perder Alguém querido
Não há palavras para expressá-la. Não há livro que a descreva. Por isso, o melhor jeito de consolar é falar pouco, orar junto, sentir junto e estar presente, cada um do jeito que sabe.
Palavras não explicam a morte de alguém querido. Sabem disso o pai, a mãe, os filhos, os irmãos, o marido e a mulher, amigos de verdade. Quando o outro morre, parte do mistério da vida vai com ele. A parte que fica torna-se ainda mais intrigante. Descobrimos a relação profunda entre a vida e a morte, quando alguém que era a razão, ou uma das razões de nossa vida, vai-se embora.
Para onde? Para quem? Está me ouvindo? A gente vai se ver de novo? Como será nosso reencontro? Acabou-se para sempre ou apenas foi antes? Por que agora? Por que desse jeito? As perguntas insistem em aparecer e as respostas não parecem claras. Dói, dói, dói e dói...
Então a gente tenta assimilar o que não se explica. Cada um do jeito que sabe. Há o que bebe, o que fuma, o que grita, o que abandona tudo, o que agride, o que chora silencioso num canto, o que chama Deus para uma briga, o que mergulha no fatalismo e o que, mesmo sem entender ou crer, aposta na fé. Um dia nos veremos de novo... Enquanto esse dia não vem, quem eu amo e se foi me vê, me ouve e ora por mim lá, junto de Deus. Para ela, a vida tem, agora, uma outra dimensão. Alcançou o definitivo.
Quem fica perguntando e sofrendo somos nós. Mas, como a vida é um riacho que logicamente deságua, a nossa vez também soará e, quando isso acontecer, então não haverá mais lágrimas. As que aqui foram choradas terão a sua explicação. Por enquanto, fica apenas o mistério. Alguém que não sabemos, porque nasceu de nós e porque cresceu em nós, porque entrou tão de cheio em nossas vidas, fechou os olhos e foi-se embora.
Quem ama de verdade não crê que se acabou. A vida é uma só: começa aqui no tempo e continua, depois, na ausência de tempo e limite. Alguém a quem amamos se tornou eterno. E essa pessoa já sabe quem e como Deus é. E também sabe o porquê de sua partida. Por isso, convém falar com ela e mandar recados a Deus por meio dela.
Se ela está no céu, então alguém, além de Deus, de Jesus e dos santos, se importa conosco. Definitivamente, não estamos sozinhos por mais que doa a solidão de havê-la perdido. Mas é apenas por pouco tempo. Quem amou aqui, sem dúvida, se reencontra no infinito...
Saudades de sua sobrinha Cristina